Você sabia que varizes pélvicas podem causar dor pélvica crónica

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Síndrome de congestão pélvica e varizes pélvicas: guia claro e prático

Você quer entender por que aquela dor pélvica crónica que não passa atrapalha tanto? A vascularista Drª Joana Ferreira explica de forma direta a síndrome de congestão pélvica e as varizes pélvicas: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento — desde remédios até embolização e cirurgia — além dos riscos e do que esperar. Esta condição afeta sobretudo mulheres e pode comprometer seriamente a qualidade de vida.

Resumo rápido

  • Dor pélvica crónica por veias dilatadas e acúmulo de sangue.
  • Afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, sobretudo com várias gestações.
  • Dor piora ao ficar em ou sentada por longos períodos, na menstruação e após relações sexuais.
  • Diagnóstico por avaliação clínica e exames de imagem (ecografia, eco‑Doppler, RM, TC).
  • Tratamentos: venoactivos, AINEs, embolização endovascular ou cirurgia; cada opção tem riscos.

O que é (explicação simples)

Pense nas veias como canos que levam o sangue de volta ao coração. Na pelve, algumas veias podem ficar largas e tortuosas, retendo sangue — isso gera pressão e dor. Quando esse acúmulo é prolongado, chamamos de síndrome de congestão pélvica. As veias dilatadas também são chamadas de varizes pélvicas.

Sintomas principais

Preste atenção se você tem:

  • Dor pélvica crónica (> 6 meses), geralmente surda e contínua.
  • Piora ao ficar muito tempo em ou sentada.
  • Aumento da dor durante a menstruação e após relação sexual.
  • Sensação de peso, tensão ou inchaço abdominal.
  • Eventual incontinência urinária ou impacto na qualidade de vida (trabalho, sono, relações).

Sentir um ou dois desses sinais não confirma o diagnóstico; a investigação é indicada se vários sintomas forem frequentes.

Quem está em risco

  • Mulheres, especialmente entre 20 e 45 anos.
  • Histórico de múltiplas gravidezes.
  • História de trombose venosa.
  • Alterações anatómicas (compressões venosas, por exemplo síndrome do nutcracker).

Causas principais

  • Insuficiência valvular venosa (refluxo e acumulação).
  • Aumento da pressão intra‑abdominal (ex.: gravidez).
  • Trombose venosa na região pélvica ou veias ovarianas.
  • Compressão de veias por estruturas anatómicas.

Esses fatores podem atuar isoladamente ou em conjunto.

Diagnóstico — o que esperar

O diagnóstico combina avaliação clínica e exames de imagem:

Avaliação clínica

  • História detalhada da dor (duração, gatilhos, impacto).
  • Exame físico por especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular ou Ginecologia.

Exames de imagem

  • Ecografia: exame inicial, identifica veias aumentadas.
  • Eco‑Doppler: avalia direção e velocidade do fluxo venoso.
  • Ressonância magnética (RM): anatomia pélvica detalhada.
  • Tomografia (TC/TAC): identifica compressões vasculares e anatomia.
  • Em centros especializados, podem ser feitas técnicas invasivas para medir pressões venosas.

O diagnóstico é clínico‑radiológico — não há um único exame que confirme todos os casos.

Tratamentos — opções e expectativa

A escolha depende da gravidade, do impacto na vida e da resposta a tratamentos iniciais.

  • Tratamento médico
  • Venoactivos: melhoram a função venosa e reduzem sintomas.
  • Anti‑inflamatórios (AINEs): para alívio temporário da dor.
  • Progestagênios (ex.: medroxiprogesterona): em casos ligados ao ciclo menstrual.
    Esses fármacos controlam sintomas; nem sempre curam sozinhos.
  • Procedimentos minimamente invasivos — embolização
  • Realizado por radiologista intervencionista ou cirurgião vascular treinado.
  • Via acesso venoso (virilha ou braço), coloca‑se cateter e usa‑se espiras (coils), cola ou esclerossantes para ocluir as veias afetadas.
  • Vantagens: pouco invasivo, recuperação rápida, evita cirurgia maior.
  • Resultados: alívio da dor em muitas pacientes; em alguns casos, melhora duradoura.
  • Riscos: reação ao contraste, complicações do acesso venoso, possibilidade de dor persistente ou recorrente.
  • Cirurgia (em casos selecionados)
  • Laqueação de veias, ooforectomia ou histerectomia em situações específicas.
  • Indicada quando tratamentos menos invasivos falham ou há indicação anatómica.
  • Implicações sérias — discutir riscos, benefícios e alternativas é essencial.

Riscos e complicações

  • Hemorragia, trombose venosa, embolia pulmonar (rara), infecção e dor persistente.
  • Recuperação varia: cirurgia maior exige internamento e semanas de repouso; embolização geralmente permite alta rápida.

Prognóstico — existe cura?

  • Em alguns casos há cura ou alívio duradouro; em outros, o tratamento reduz os sintomas sem eliminar totalmente a dor.
  • Pode ser necessário combinar abordagens ao longo do tempo. O objetivo principal é recuperar a qualidade de vida.

Quando procurar um especialista

Procure avaliação se:

  • A dor dura mais de seis meses.
  • Os sintomas afetam sua vida diária.
  • Tratamentos iniciais não trouxeram alívio.

Profissionais: Angiologia e Cirurgia Vascular, radiologia intervencionista, ginecologia com experiência em dor pélvica.

Medidas de suporte e estilo de vida

  • Evite ficar muito tempo em pé; faça pausas sentada.
  • Eleve as pernas quando possível.
  • Mantenha peso saudável e pratique exercícios leves regulares.
  • Fisioterapia do assoalho pélvico pode ajudar.
    Essas medidas complementam, não substituem, o tratamento médico.

Perguntas úteis para levar ao médico

  • Qual é a causa mais provável da minha dor?
  • Que exames recomendam e por quê?
  • Quais as opções de tratamento no meu caso?
  • A embolização é indicada para mim?
  • Quais os riscos da cirurgia e tempo de recuperação?
  • Qual a probabilidade de recidiva da dor?

Casos práticos (exemplos)

  • Dor moderada: controle com medicação e mudanças de vida; observação.
  • Dor incapacitante: investigação e possível embolização.
  • Falha de terapias: discussão de opções cirúrgicas, avaliando riscos.

Recursos e apoio

  • Clínicas de Angiologia e Cirurgia Vascular.
  • Unidades de radiologia intervencionista.
  • Serviços de dor crónica e fisioterapia pélvica.
  • Grupos de apoio para mulheres com dor pélvica crónica.

Conversar com outras pessoas na mesma situação ajuda a lidar com frustração e a encontrar caminhos de tratamento.

Perguntas frequentes (FAQ)

  • A síndrome afeta homens?
    Raro — muito mais comum em mulheres.
  • Toda dor pélvica crónica é por esta síndrome?
    Não. Existem muitas causas; diagnóstico médico é essencial.
  • A embolização é dolorosa?
    Procedimento com anestesia local e sedação; recuperação normalmente mais confortável que cirurgia aberta.
  • Posso engravidar depois do tratamento?
    Na maioria dos casos sim; discuta planos de gravidez com seu médico.
  • A cirurgia é sempre necessária?
    Não; muitas vezes tratamentos menos invasivos e medicamentos são suficientes.

Conclusão

A síndrome de congestão pélvica e as varizes pélvicas são causas reais de dor pélvica crónica — não é coisa da cabeça. São veias dilatadas que acumulam sangue e causam desconforto prolongado. Se a dor persiste por meses, piora em pé, na menstruação ou após relações, procure um especialista. Exames como eco‑Doppler, ressonância ou TC ajudam no diagnóstico. Existem opções que vão de medicamentos venoactivos e AINEs até embolização e cirurgia em casos selecionados. O objetivo é sempre recuperar sua qualidade de vida.

Não aceite a dor como companhia constante: pergunte, informe‑se e envolva‑se nas decisões sobre o tratamento. Para saber mais, leia artigos e informe‑se em https://jornalsaudebemestar.com.br.

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